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A Caravana Bem Viver é uma iniciativa de mobilização social que busca promover qualidade de vida, justiça social e sustentabilidade a partir da valorização dos territórios e dos saberes tradicionais. Inspirada no conceito de “bem viver”, a proposta integra saúde, meio ambiente, cultura e desenvolvimento comunitário, incentivando a construção coletiva de soluções para os desafios enfrentados por populações locais. Entre seus principais objetivos estão o fortalecimento da participação social, o estímulo à economia solidária, a promoção da segurança alimentar e a defesa dos direitos de povos e comunidades tradicionais.
Desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT), a Caravana faz parte das ações do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS). A iniciativa atua como um espaço de encontro entre conhecimento científico e práticas tradicionais, promovendo o diálogo e a construção de políticas públicas mais alinhadas às realidades dos territórios.
No estado do Rio de Janeiro, a Caravana Bem Viver tem concentrado suas atividades na região da Costa Verde, especialmente nos municípios de Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba. Essas localidades reúnem uma rica diversidade de povos e comunidades tradicionais, como indígenas, caiçaras e quilombolas, que têm papel central nas atividades desenvolvidas.
Uma das edições recentes ocorreu em Paraty, com uma programação voltada ao “Abril Indígena na Mata Atlântica”, reunindo oficinas, rodas de conversa, atividades culturais e feiras de sociobiodiversidade. As ações são abertas ao público e buscam envolver tanto moradores quanto representantes de instituições, ampliando o alcance das discussões e fortalecendo redes de cooperação.
A gerente-geral da Unacoop, Margarete Teixeira, destacou que a cooperativa tem atuado como parceira de iniciativas voltadas ao fortalecimento de comunidades tradicionais desde o período da pandemia, embora só recentemente tenha conhecido mais profundamente a Caravana do Bem Viver, durante uma visita a Paraty. Ela ressaltou a importância dessas ações no território da Baía da Ilha Grande, especialmente diante do atual enfraquecimento institucional da FUNAI, o que tem deixado comunidades indígenas e quilombolas em situação de maior vulnerabilidade. Margarete relatou experiências diretas em localidades como a aldeia do Bracuí, onde observou a falta de incentivos para produção agrícola e preservação cultural, além de lembrar iniciativas anteriores de apoio, como a entrega de alimentos via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Conab.
A gestora também enfatizou que, apesar de existirem diversas comunidades na região, incluindo o Quilombo da Marambaia, em Mangaratiba, e outras localidades; muitas ainda enfrentam carências significativas e necessitam de apoio contínuo. Para ela, a retomada da atuação plena da FUNAI seria fundamental, dado o conhecimento histórico do órgão sobre essas populações. Ainda assim, Margarete celebrou o fortalecimento de parcerias baseadas na confiança e manifestou interesse em se aproximar mais da Caravana do Bem Viver, participando ativamente de suas ações para ampliar o aprendizado e contribuir de forma mais efetiva com o desenvolvimento dessas comunidades.
Ao percorrer diferentes territórios, a Caravana Bem Viver contribui para dar visibilidade às demandas locais e estimular práticas sustentáveis baseadas no protagonismo comunitário. A iniciativa se consolida, assim, como uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento territorial, promovendo integração entre diferentes saberes e incentivando soluções que partem das próprias comunidades.
Por Larissa Machado
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