Fale Conosco: (21) 2471-9187 / 2471-7623
Uma ação de gastronomia social voltada a crianças e adolescentes da Comunidade Chapéu Mangueira, no Leme, zona sul do Rio de Janeiro, tem usado a cozinha como ferramenta de inclusão, aprendizado e prevenção social. A iniciativa é liderada pelo chef Carlos Fontes, conhecido como Nêgo Breu, morador da comunidade e referência local em projetos sociais ligados à alimentação.
Segundo o chef, a motivação para criar a escola de gastronomia social nasceu de uma experiência pessoal dolorosa. “A ideia de fazer ação social, a escola de gastronomia social com as crianças da nossa comunidade, foi porque eu perdi um filho e eu acho que é melhor antes ter essas crianças dentro da cozinha com a gente, trabalhando, aprendendo uma profissão digna, do que o poder paralelo recrutar elas e, futuramente, a gente ter problema com essas crianças”, afirmou.
Localizada em uma área marcada historicamente por vulnerabilidades sociais, mas também por forte organização comunitária, a Chapéu Mangueira abriga centenas de famílias que convivem com desafios como acesso limitado a oportunidades formais de trabalho e renda. Iniciativas locais, como a liderada por Nêgo Breu, buscam oferecer alternativas concretas para a juventude, especialmente no contraturno escolar.
O projeto tem como foco tirar crianças “da pista”, como define o chef, e apresentar a elas uma profissão possível e próxima da realidade local. “O objetivo dessa estância é tirar as crianças da pista, que a gente fala do caminho, trazer ela para dentro da cozinha, ensinar uma profissão e que elas possam ganhar o dinheiro delas dignamente e poder ajudar na culinária dentro de casa”, disse.
Durante as atividades, as crianças aprendem noções básicas de alimentação, higiene e preparo de alimentos. Para Nêgo Breu, o contato com a cozinha também dialoga com a vivência doméstica. “Muitas delas já têm o dom de cozinhar, elas veem a mãe cozinhar em casa e pegam aquela vontade. A salada que nós fizemos todas as crianças comeram, e criança é difícil comer verde”, relatou.
A ação contou com o apoio de parceiros locais e voluntários. Entre eles, o supermercado Zona Sul do Leme, que doou insumos, além de moradores e colaboradores da própria comunidade. O chef fez questão de citar apoios importantes. “Não esquecer de botar aí a deputada Benedita da Silva, a Dona Márcia, que é uma pessoa que ajuda a gente sempre, e a mãe de um amigo meu chamado Nícolas”, destacou.
Apesar do impacto positivo, a iniciativa ainda enfrenta limitações. “A ação não tem periodicidade porque não temos patrocinador. Se a gente tivesse, fazia duas vezes por semana, três vezes por semana. O nosso problema é esse: patrocínio”, concluiu Nêgo Breu.
Mesmo sem apoio fixo, a cozinha social segue como símbolo de resistência, cuidado e esperança no Chapéu Mangueira, mostrando que inclusão e futuro também podem ser construídos a partir do fogão.
Por Larissa Machado
Confira mais noticias sobre a UNACOOP